A primeira pergunta que fiz quando recebi a proposta para trabalhar com equipe da Trinca foi – Qual a metodologia de trabalho? E para a minha felicidade foi que o Scrum estava em processo de implantação, porém teríamos alguns desafios. Acredite ou não, as expectativas foram superiores para todos, um processo padronizado, resultados a curto prazo e uma equipe engajada para melhorar a cada dia.


Quando cheguei na empresa busquei entender quais eram as expectativas com relação a metodologia e o que de fato sabiam sobre a mesma. Durante um mês fiquei estruturando um formato ideal para trabalhar com o cenário que a empresa se encontrava com projetos complexos, equipe motivada e a busca por um retorno efetivo. A maioria das pessoas quando vão trabalhar com o Scrum não fazem idéia do quanto é evolutivo o processo de implementação e quanto o crescimento do time é importante para um desenvolvimento consistente dos projetos.

 

Não podemos criar um mundo de ilusões achando que ser ágil é entregar um projeto de 6 meses em 10 dias, pelo contrário, o Scrum prioriza aquilo que tem valor e é realmente relevante para o resultado final.

A cultura nunca deve ficar de lado

O ponto chave de uma metodologia ágil é a cultura da empresa, se queremos mudar os processos e as equipes, sem dúvida não podemos deixar de envolver diretamente aqueles que formam o DNA da empresa, que são os proprietários e diretores. Não podemos criar um mundo de ilusões achando que ser ágil é entregar um projeto de 6 meses em 10 dias, pelo contrário, o Scrum prioriza aquilo que tem valor e é realmente relevante para o resultado final. Portanto, os líderes precisam entender que o que iremos construir é um legado na maneira de pensar produtos ou projetos digitais e que a cultura será afetada positivamente para a melhoria das suas equipes de negócio, desenvolvimento e clientes.

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Projeto Beta para validar o essencial

Outro detalhe importante para implementar a metodologia foi não tentar mudar da noite para o dia o que já estava acontecendo na empresa. A forma mais transparente para se fazer isso foi construir pequenos degraus de conhecimento dentro dos projetos. Durante algumas reuniões, vimos que um dos projetos mais complexos seria a nossa versão beta de implementação, isso porque se funcionasse bem neste projeto, os demais iriam receber de forma orgânica a utilização do Scrum. No momento que conseguimos deixar esse time totalmente envolvido com as práticas do Scrum a mudança ocorreu naturalmente nos demais projetos. Ou seja, quando as pessoas estão engajadas em um problema e querem resolver cooperando e construindo um novo cenário, os resultados acontecem e acaba virando um ciclo virtuoso pela busca de valor.

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Quando comecei a padronizar os artefatos para implementar a prática os times se colocaram em uma posição muito aberta a entender sobre cada novo passo que era dado. Abaixo fiz um breve check-list dos itens que utilizei na parte tática do processo de implementação:

 

  • Quandros brancos por todas as salas com kits de canetas coloridas
  • Padronizar os post-its para criar um entendimento comum
  • Padronização de planilhas para estimar as histórias e tarefas
  • Workshops para explicar como funciona os ciclos de entregas do Scrum
  • Burndown o mais simples possível
  • Utilização de ferramenta para documentar as histórias
  • Padronização da etapas dos projetos
  • Definição do tempo das sprints e releases
  • Formalização da discovery, planning, daily, retrospectiva e review.

O resultado

Depois de 4 meses a percepção das pessoas começava a mudar quando os resultados apareceram de forma expressiva nas entregas dos projetos.Começamos a ver que os problemas emergiram e precisavam ser resolvidos com maior envolvimento, os prazos estavam sendo mais precisos e as entregas feitas com um nível detalhado de testes, o módulo de comando – controle deixou de operar e entrou a visão de líder servidor, as abordagens de desenvolvimento focaram no valor do produto, o crescimento do time com relação a busca por qualidade de código e a economia em bugs resultou em motivação.

O mais interessante é que agora sabemos para onde iremos e como, entendendo qual é a nossa capacidade de produção e o perfil de projetos que desenvolvemos, isso tudo nos capacita para uma tomada de decisão mais precisa em relação as mudanças que enfrentaremos constantemente nos projetos e produtos digitais.

Dicas de livros para quem quer evoluir nesse assunto:

Getting real

Rework

Scrum 360°

Desenvolvimento de software com Scrum

Gestão ágil para projetos de sucesso

Scrum em ação

Chief Culture Officer

A alma da Toyota