O surf, as marcas e a tecnologia.

Guga no tênis. Bernard no vôlei. Piquet, Fittipaldi e Senna no automobilismo. Pelé, Ronaldo, Romário e tantos outros no futebol. Gerações de ídolos vencedores que entraram para a história, fazendo verdadeiras (r)evoluções e angariando milhões de novos adeptos aos esportes.

O título mundial de Gabriel Medina, no ano passado, combinado com a ascensão de jovens prodígios tupiniquins denominados Brazilian Storm, parece fazer este fenômeno se repetir, agora no surf. Pessoas que nunca tinham subido numa prancha, em um piscar de olhos passam a se ver com águas salgadas nas veias.

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Uma breve história.

A história da cultura surf no Brasil é cheia de peculiaridades. Em seus primórdios, surfista era visto como o sujeito que fumava maconha e passava o dia na praia. Com a ascensão de ídolos, campeonatos e das marcas, essa visão foi se modificando. O surf virava um esporte.

Nomes como Rico de Souza, Picuruta Salazar e Ricardo Bocão foram —  aos poucos —  popularizando o esporte e trazendo novas perspectivas de futuro. Os campeonatos no Rio de Janeiro e São Paulo ficavam mais interessantes, e o público não apenas comprava a ideia, mas também queria entrar na onda.

Um copo cheio para as marcas.

Em uma análise empírica do perfil do surfista, observamos, de um modo geral, cidadãos de bem com a vida, extrovertidos e que cuidam intrinsecamente da saúde. Pessoas felizes. Para o imaginário da sociedade, ser surfista é cool! É claro que isso é um copo cheio para as marcas.

Dentro deste contexto, surge, no Brasil, a Mormaii. Do outro lado do oceano, Rip Curl, Billabong, O’neill, Quiksilver e diversas outras gigantes, vêm remando fortemente para os braços do público.

O interessante nessa área, é que especialistas em pesquisas no Brasil dividem o consumo de surf entre praticantes e simpatizantes. E, pasmem, 87% dos consumidores de produtos são de simpatizantes, segundo esta pesquisa.

São cerca de 3 milhões de praticantes e 30 milhões de simpatizantes. Um grupo que movimenta R$9 bilhões, de acordo com os dados de 2012 da revista Alma Surf.

Cidades sem ondas como São Paulo e Porto Alegre, surpreendentemente, são os mercados favoritos dos players. Só na maior cidade brasileira, quase um milhão de pessoas compraram produtos ligados ao esporte, movimentando R$1,5 bilhões, de acordo com um levantamento feito em 2008 pela Toledo & Associados. Porto Alegre é apontada por especialistas como a cidade sem praia com mais surfistas por metro quadrado.

A tecnologia aterrissa no surf.

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De fato, com a tempestade brasileira, o público e as marcas chegaram para ficar no surf. Tal como a tecnologia na vida das pessoas. Olhe para os lados. Os dados sobre o adoção do smartphone já foram dissecados aqui no blog.  Como não se render ao fascínio de um retângulo com menos de 15cm que nos proporciona todas as facilidades possíveis, por vezes com um clique? Pedir táxi, pedir uma refeição, encontrar a alma gêmea, conversar com um parente distante. Tudo é possível. Em apenas um clique.

No surf não é diferente. A World Surf League, órgão responsável pelos maiores campeonatos, desenvolveu um aplicativo que disponibiliza o live streaming das etapas. Já o software TRACE, permite análises precisas de performance dos atletas. Uma funcionalidade também presente no relógio Rip Curl SearchGPS.

Não é preciso ser um expert para perceber que, com o apelo midiático que o surf volta a ter, bem como o elevado acesso à informação e a tempestade rondando nosso paraíso tropical, a oportunidade para trazer novos praticantes para o surf é agora.

O Surf’s App.

Tecnologia e surf. Dois mercados em constante desenvolvimento.

Esses dois fatores se somam à sustentabilidade e: bingo! A Trinca desenvolve sua startup com um aplicativo de carona para o surf, o Surf’s App. Da palma da mão, é possível combinar caronas, acompanhar a previsão de ondas, vender e comprar equipamentos e reportar fotos da praia. Todos os serviços que um surfista precisa para surfar. Com menos carros nas estradas e mais surfistas felizes no outside.

Seguimos de olho nas horas, pois imaginamos que o próximo forecast será colado no pulso.

Eu sou um Product Owner.

A maioria das empresas de software acham que o Product Owner é o gerentão que coloca a pressão para as coisas acontecerem ou pensam que é o garçom da empresa que fica tirando pedido dos departamentos e acaba mais dizendo sim do que não. Pois é, geralmente essa é a visão distorcida que as pessoas tem do Product Owner e por este motivo decidi escrever uma breve abordagem do que faz um P.O.

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Acredito que o primeiro requisito para ser um P.O é ter bom senso, capacidade de tomada de decisão e muita inteligência emocional. Lidar com clientes, equipes de desenvolvimento, diretores, parceiros, indianos… é bem complexo. Nesse mix de perfils faz com que seja obrigatório entender de pessoas e não apenas de tecnologias. Pela minha experiência e pelos fatos que já presenciei, mais de 90% dos problemas em projetos e produtos ocorrem pela tomada de decisão errada das pessoas, ou pela falta de humildade de assumir um erro e correr para reverter ou pelo orgulho de não deixar que o time tome a decisão em conjunto.

O PRODUCT OWNER REPRESENTA A VOZ DO CLIENTE E É RESPONSÁVEL POR GARANTIR QUE A EQUIPE AGREGUE VALOR AO NEGÓCIO. O PRODUCT OWNER ESCREVE CENTRADO NOS ITENS DO CLIENTE , OS PRIORIZA E OS ADICIONA PARA O PRODUCT BACKLOG.

KEN SCHWABER

 

Portando, o papel que um P.O precisa exercer é de ser um conector entre a área de negócios e tecnologia, fazendo com que as direções sejam tomadas com base em justificativas consistentes de valor para os usuários.Ele precisa criar e aumentar o valor para o negócio e ainda eliminar o desperdício nas entregas.

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Outro ponto importante é que a parte tática do P.O para construir um projeto é entregue na elicitação de requisitos. Considero essencial criar um fluxo de colaboração para entendimento dos requisitos do projeto, por mais que seja uma tarefa exclusiva do P.O, ele precisa coexistir com o time e levantar a bandeira de entrega com a melhor qualidade. Não basta escrever histórias e definir bons critérios de aceitação, seu processo analítico e crítico precisa ser ativo em todas as interações, isso ajuda a incluir dentro da empresa uma visão de valor nas entregas. Elicitar se define como um entendimento muito maior do que apenas uma captura e escrita de documentos.

Abaixo coloco algumas atividade que um Product Owner precisa atuar:

  • Apoiar e manter a cultura ágil na empresa
  • Ser um líder servidor para seu time
  • Ter sempre uma meta a ser alcançada através de um valor de entrega
  • Entender de arquitetura de informação para solucionar a vida dos usuários
  • Disponibilidade para o time
  • P.O é full time P.O
  • Manter o time em uma velocidade saudável
  • Entender muito bem como funciona o nicho de mercado do seu produto
  • Planejar e manter épicos, temas e histórias de usuários
  • Dar feedback para a comunidade de negócio
  • Priorizar histórias por Valor de Negócio
  • Aprovar e aceitar histórias
  • Manter as histórias independentes
  • Definir o MVP e garantir a evolução continua
  • Manter a rastreabilidade de histórias para temas e épicos

Afinal, o que é um MVP de verdade?

Falar em Mínimo Produto Viável (MVP) tornou-se uma obrigação dentro de startups e no dia a dia de pessoas empreendedoras. Porém, mais do que um termo que caiu nas graças da área de tecnologia, o mesmo tem uma justificativa clara para ser usada com tanto afinco por aqueles que querem ver seu produto decolar.


Com a queda de metodologias burocráticas e suas falácias produtivas, o mercado de tecnologia objetivou o resultado com valor. Isto, antes de colocar um aporte de milhões em um projeto ou produto sem a possibilidade de validar a idéia proposta. A entrada das plataformas mobile capacitou o lançamento de aplicativos com alto valor agregado em pouco tempo de desenvolvimento. Esta facilidade permite a evolução contínua dos produtos, em paralelo com sua rentabilidade. Um exemplo clássico é do game Angry Birds. O mesmo obteve 10 milhões de downloads nos 3 primeiros dias de lançamento. Fora o valor incontável de brand alcançando, criando uma franquia gigantesca para produzir bonecos, desenhos entre outros produtos que hoje fazem parte do universo da marca.

“Startups não falham ao desenvolver uma ideia, mas falham ao encontrar clientes dispostos apagar. Uma tecnologia por mais incrível que seja, se não resolver um problema, jamais será um produto”

Steve Black

Um Mínimo Produto Viável (MVP) nada mais é do que uma forma de gerar a comprovação de uma idéia ou hipótese com base em feedback constante com os usuários, possibilitando um aprendizado para potencializar o produto em teste, ou ainda, desistir a tempo de não se colocar mais dinheiro em uma furada. Esta visão de evitar o desperdício de tempo em funcionalidades que não serão utilizadas pelos usuários, surgiu na cultura Toyota e evolui depois que Steve Black e Eric Ries construíram o conceito de Lean Startup. Também é importante considerar a contribuição de Don Normam e John Maeda para a virtualização do conceito de produtos e valor agregado.

Uma frase que sempre lembro quando pessoas ficam entusiasmadas achando que irão ficar milionárias com um aplicativo ou com sua super idéia:

 “Startups não falham no desenvolver uma ideia, mas falham ao encontrar clientes dispostos a pagar. Uma tecnologia por mais incrível que seja, se não resolver um problema, jamais será um produto” – Steve Black

 E depois vem essa:

“Não aguento mais conhecer empreendedores. Eles não entendem que um negócio inovador não é feito de ideias, mas de execução. Os grandes negócios que conhecemos são a terceira ou quarta execução de uma mesma ideia. A primeira rede social é de 1995. O Facebook veio bem depois” – Eric Ries

Feedback constante

A palavra mágica do conceito de Mínimo Produto Viável (MVP)  é o feedback, ou seja, abrir o seu produto para interagir com o maior número de usuários possíveis, procurando entender como o seu produto pode resolver o problema dessas pessoas. Portanto, não tente encher seu produto de funcionalidades e jogar todas as suas expectativas inovadoras nele. As pessoas terão pouco tempo para contribuir com a sua idéia e muitas nem saberão como utilizar. Seja o mais breve possível para solucionar seus problemas. Até porque, se você perder todo o seu tempo colocando funcionalidade no produto, vai perder o timming de lançamento, o que significa perder uma oportunidade por um pecado idiota.

Números!

Sempre que tiver um idéia nunca deve abrir mão de pensar em métricas, coleta de informação e mensuração dos seus objetivos. Falo isso porque não existe possibilidade de você lançar um produto sem ter que gastar com desenvolvimento, design e marketing. Você precisa saber exatamente onde está errando, como está errando e porque está errando; e, muitas vezes, saber até mesmo porque está acertando. Por isso, acredite, os números vão ser o balizador do que as pessoas passam nos feedbacks e o que realmente elas fazem na interação com seu produto. Resumindo, você vai ter um tempo hábil para responder às incertezas do mercado e criar um produto realmente valioso.

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Algumas dicas para refletir antes, durante e depois de iniciar um Mínimo Produto Viável (MVP) :

  • Não se preocupe se sua primeira versão vai ter bug ou se o design pecou nas cores: isto faz parte do evoluir;
  • Escute os feedbacks. Eles podem fazer grande diferença;
  • As repostas não virão até você. Saia e as encontre;
  • Erre quantas vezes for necessário e, o mais importantes, não tenha medo;
  • Não se jogue na primeira ideia;
  • Para se ter resultado, precisa se ter números. Invista em analytics e ROI;
  • Evite que o seu produto cresça e fique empilhado de funcionalidades inúteis;
  • Pesquise, teste, prototipe, viaje, discuta. Só depois de tudo isto inicie um MVP, mas não passe de dois meses;
  • O MVP é um grande brainstorming, por isso não perca nenhuma oportunidade;
  • Mantra do MVP: “Alto valor agregado, baixo investimento, agilidade e sem desperdício”.